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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

I Concurso Cozinha de Ensaio - e uma viagem a Paris



Um convite. Um concurso. Cozinhar produtos portugueses, produtos de Trás-os-Montes. Não pensei duas vezes e aceitei de imediato. Da minha terra, do Alentejo, levei o meu tempero. Participei no I Concurso COZINHA de ENSAIO, em Bragança na NERBA durante a 12º Feira Internacional do Norte a Norcaça, Norpesca & Norcastanha 2013. Inesperadamente, ganhei. 

Da Feira 
Este tipo de eventos regionais, ainda que pequenos, são importantes pois dinamizam os concelhos e as cidades. Neles encontramos pequenos produtores como o Sr. Luís Mónico e os seus enchidos, projectos com alma como a OrigemTransmontana, a Tomelo e os seus sabonetes de leite de burra, ou a Sweet Gourmet By Eurico Castro e a sua deliciosa pasta de castanha. 

Dos Chefes e o showcooking 
Tive a oportunidade de assistir ao showcooking da Justa Nobre e do Chef Vincent Frages.
A Chef Justa Nobre confeccionou uma perna de lebre recheada com peito de perdiz. Revelando-se ao cortar um prato lindíssimo e muito saboroso, acompanhado pelos famosos Cuscos de Trás-os-Montes. Das mãos da Chef Justa Nobre nascem pratos honestos. 
O Chef Vincent Frages  apresentou-nos vários pratos elaborados com produtos da região, como a perdiz, a castanha e a truta. Ver este Chef trabalhar a minha cozinha é como que uma banda de garagem, e a deste senhor, maestro da mais afinada orquestra sinfónica. A delicadeza dos seus movimentos, cirúrgicos, no corte dos alimentos e na composição dos pratos. O prazer com que nos revela técnicas e ingredientes é deslumbrante e contagioso. Provei todos os seus pratos! Ahhhhh. 

Do Concurso 
Ao meu lado a cozinhar estiveram os bloggers, Isabel Rafael do Cinco Quartos de laranja, a Vera Ferraz do Hoje para Cozinhar, a  Sandra Santos do Marmita, a Maria João do  Clavel's Cook, a Nadia Folgado do Frango do Campo, a Olivia Fagundes Rocha do Alquimia dos Tachos e o Rodrigo Meneses do Foodie.pt


A avaliação das provas ficou a cargo do júri, constituído pela  Fátima Moura, autora do blog Conversas à Mesa, escritora e gastrónoma, o Chef Luis Barradas, especialista em cozinha japonesa, e o Miguel Gameiro, cantor e apaixonado pela gastronomia:- frequentou a Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril e está de partida para a escola do Alain Ducasse em Paris.
Realizámos quatro provas de cozinha, onde nos foram distribuídos de forma aleatória os seguintes produtos:  perdizes, javali, trutas da região, coelhos bravos, alheiras de caça, castanhas, cogumelos da região, passarinhos, queijo Terrincho e azedos de caça. 
No sábado de manhã realizou-se a primeira prova. Ingredientes a cozinhar em 45 minutos: alheira de caça, passarinhos e azedos. Fritei um peito de passarinho com alho e outros temperos em azeite, coloquei sobre uma fatia de pão frita também em azeite e servi com umas alcaparras, como por lá chamam às azeitonas curtidas sem caroço. Com a alheira e o azedo fiz umas bolinhas, como almôndegas, envolvidas em frutos secos (avelãs) e levei ao forno para tostarem. Servi a alheira com esparregado de nabiça e o azedo com tiras de maçã para lhe dar um pouco de frescura, equilibrando o seu forte sabor.
Nunca tinha comido azedos de caça e foi a primeira vez que os cozinhei. Provei e gostei. Lembro-me de ler algo sobre os azedos num livro de José Quitério, onde também nos fala das alheiras: “as alheiras, cujo nome vem dos alhos que lhe abundam a massa, eram na sua fórmula primitiva, feitas com miolo de pão de trigo, coelho bravo, perdiz, galinha, peru, vitela, mais o caldo de cozedura das carnes; e os azedos a massa é parecida à das alheiras, com mais carne, menos pão e sem alho.” José Quitério   
  
Nesse mesmo dia à tarde, realizou-se a segunda prova. Ingredientes a cozinhar em 45 minutos: coelho bravo, cogumelos e nabiças. Optei por cozinhar os lombos do coelho. Estufei-os com temperos como o meu pai faz em casa, com alho, vinho branco, toucinho, cebola, ervas aromáticas e cogumelos. Retirei as peças de carne quando estavam no ponto e deixei-as descansar um pouco. Reduzi o molho a um puré com a varinha mágica e depois coei por um passador. Acompanharam este coelho uma migas de pão com nabiça, crocantes, e umas tiras de pimento encarnado fresco.
Domingo de manhã a terceira prova. Tínhamos 45 minutos para cozinhar como ingredientes, a perdiz. Servi a ave desossada, o peito e coxa. Entretanto usei os ossos e restantes partes da carcaça da ave, e fritei-a no pingo do toucinho e azeite. De seguida estufei com temperos como a cebola, alho, cravinho, louro, vinho branco, e cheiros numa boneca com a salsa, o tomilho e a  manjerona, ou bouquet garni como os franceses lhe chamam. Retirei primeiro o peito da ave, e só depois a coxa. A lembrar que os peitos cozem mais rapidamente que as coxas. Panei depois as carnes por ovo e amêndoa picada na hora , novamente por ovo e pão, ralado na hora com umas folhas de manjerona. Fritei esse panado em azeite. Reduzi o molho, triturei-o na varinha mágica e coei. Servi com couve previamente cozida, depois salteada em azeite com um alho esmagado. Acompanhei no prato com uvas temperadas de azeite.
 
A quarta e ultima prova foi uma final realizada por duas equipas, a do avental verde liderada por mim Vs a equipa do  avental castanho liderada pelo Rodrigo Meneses. Eu e o Rodrigo Meneses tínhamos a melhor pontuação. Numa hora teríamos de confeccionar três pratos com os seguintes ingredientes: truta, javali, castanhas e queijo Terrincho. A Vera Ferraz e a Sandra Santos ficaram com a liberdade total para elaborarem a sobremesa. Uma deliciosa Sopa doce de castanha com uns folhados de maçã e caramelo. A Isabel Rafael recebeu a minha orientação na confecção de um prato de javali, pois esta seria a sua estreia, no tacho, com javali. E eu, fiz uma truta recheada.

De todos os pratos este foi o que mais gozo me deu fazer. A truta estava VIVA.  O Chefe Barradas deu-me indicações de como a matar rapidamente: -um corte perpendicular ao lombo junto à cabeça. Filetei a truta e retirei-lhe todas as espinhas. O peixe tinha uma textura incrível. Depois recheei o filete com cogumelos, alho francês e amêndoas, previamente salteados em azeite. Enrolei o filete de truta em finas fatias de entremeada fumada e bridei, ou seja, atei o rolo com tiras de alho francês. Levei ao forno por 10 minutos até o peixe começar a apresentar uma cor branca. Polvilhei com queijo Terrincho ralado e levei novamente ao forno para este derreter. Servi com batata previamente cozida e depois tostada no forno com um pouco de azeite. Decorei o rolo de truta com duas “agulhas” de cebolinho.


 
Do resultado 
Cozinhar fora de casa, em público e num concurso é uma grande responsabilidade. Superei o meu medo de desafios e falhas, e aprendi muito. Deixei-me sempre levar pelo meu tempero e provei, provei, provei, provei cada prato ali confeccionado. Reencontrei alguns amigos, de Espanha também como o Jorge Guitián e a Anna Mayer.  Conheci pessoas, fiz novas amizades. Houve naqueles três dias, da parte de todos, muito amor pela cozinha e cumplicidade.
O MárioCerdeira, mentor deste concurso, está de parabéns. O Alentejo cá vos espera para se fazer mais um concurso Cozinha de Ensaio.
Fui recebida com muito carinho em Bragança. Voltarei.
Fiquei muito feliz por ver no Jornal da minha terra e onde sou colaboradora, os Brados do Alentejo, uma notícia sobre este inesquecível evento. Bragança também foi notícia no Alentejo! Agradeço o destaque.


O prémio foi uma viagem a Paris, para duas pessoas. Obrigada Emílio Martins Transportes e Turismo.
 


Nota: As fotografias foram-me gentilmente cedidas pelo Ricardo Rafael e pelo Mário Cerdeira. 

Olhapim,
Alentejo... em Bragança! 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Duas receitas alentejanas no livro A Mesa dos Portugueses

É preciso vibrar com a nossa gastronomia, para que o resto do mundo perceba que Portugal é de se comer. Transbordar de alegria com a cozinha portuguesa, para que o mundo se contagie e repare mais em nós.
Consciente deste saudável contágio, decidi participar no concurso A MESA DOS PORTUGUESES com pratos do meu querido Alentejo. Com muita pena não vou à final, mas fiquei feliz pois das três receitas apresentadas, duas farão parte do livro A Mesa dos Portugueses 1ª edição.

Receitas seleccionadas:

Sopas de tomate à alentejana com caras de bacalhau e papa ratos


Categoria: Sopas
Região: Alentejo
Sopas de tomate à alentejana com caras de bacalhau e papa ratos

As sopas de tomate no Alentejo são normalmente servidas como um prato completo. Podem ser feitas simples só com o pão. Depois podem levar a acompanhar: ovos escalfados; bacalhau; cavalas; sardas; carapaus grandes; até há quem as faça com carnes. Mas a base destas sopas começa pela fritura, em pouco azeite, de enchidos e toucinho, resultando o pingo ( gordura das carnes). Depois é neste que se frita a cebola e o tomate.
É normal fazer estas sopas com as caras de bacalhau. O caldo fica sempre mais rico e saboroso.


Beiços e burras  com cheiros

Categoria: Carnes
Região: Alentejo
Beiços e Burras com Cheiros

No Alentejo dá-se o nome de beiços ao focinho do porco e às burras os maxilares.
Os beiços e burras foram assados no forno, com ervas aromáticas, e depois enrolados em massa filo. Também poderão encontrar uma excelente receita de massa filo, deliciosa e fácil de fazer.
Olhapim,
Alentejo...





sexta-feira, 16 de março de 2012

Amêndoas de Páscoa com especiarias [ Gengibre, cacau e canela ]

Que me desculpe a duquesa de Bedford, mas o meu chá das cinco foi servido tarde.
A minha convidada passou o dia a comer pão, bolos e bolinhos, sempre rodeada de amigos. O seu apetite para jantar não era muito. Achei simpático convidá-la antes para um chá. Combinada a hora,  chegou a minha casa  com uns extraordinários Muffins de quinoa e atum. Salgado, perfeito! Lembrem-se que para acompanhar um chá, deverá haver sempre uma componente doce e outra salgada. A doce já tinha preparado, amêndoas com especiarias. Assim como o chá, gorreana, variedade Orange Pekoe. Foi um serão muito agradável. Falámos de arroz doce, dos seus sous chefs (os gatos), da sua paixão por Nigel Slater  e do nosso Alentejo.
Porquê a Suzana? Simples.
1) Tem raízes alentejanas.
2) Sou alérgico a gatos [ a Suzana diz que "... noutra vida há-de ser um gato..."] #Atchim!
3) Achei elegante convidar a promotora deste "evento".
4) Nos blogues encontramos grandes cozinheiros e cozinheiras. Alguns são, verdadeiros Chefes! Convidei uma blogger portuguesa, em homenagem a todos os meus colegas "bloggers" : )
Com estas amêndoas participo na 2º edição do "convidei para jantar" autoria da  Anasbageri, que neste momento está em casa da Suzana, no blogue Gourmets {amadores}.


 Amêndoas de Páscoa com especiarias :  gengibre, cacau e canela 
Amêndoas enxovalhadas com especiarias

 Amêndoas de Páscoa com especiarias : gengibre, cacau e canela 


Ingredientes: 
1 chávena de amêndoas com pele
1 chávena de açúcar
1 chávena de água 
25 g de rizoma de gengibre ( pesado já descascado)
1 colher de sopa rasa de cacau em pó amargo
1 colher de café de canela em pó

Limpe bem o pó das amêndoas com um pano depois de descascadas.
Na picadora triture o açúcar com o gengibre.
Num tacho antiaderente coloque as amêndoas inteiras com pele, o açúcar triturado com o gengibre, o cacau, a canela e a água. Em lume médio e mexendo sempre, deixe ferver até que todo o líquido evapore. 
Quando o açúcar ficar parecido com “areia” [isto irá acontecer muito rapidamente depois da fase espumosa e caramelada], retire do lume para arrefecer um pouco, revolvendo tudo. 
Leve este preparado novamente ao lume, mas agora lume brando. Nunca pare de mexer. Quando o açúcar começar a derreter e todas as amêndoas se apresentarem brilhantes:- estão prontas. 
Deite-as para cima de um papel vegetal com a ajuda da colher de pau e espalhe-as para ficarem soltas. Depois de frias guarde num frasco que vede bem para ficarem sempre crocantes.

Olhapim adverte 
Mexa sempre o preparado com uma colher de pau e nunca toque nas amêndoas enquanto estiverem quentes. É com açúcar quente que está a trabalhar, e este, faz queimaduras na pele. 
Não lave logo o tacho. Deixe-o de molho por umas horas e depois basta passar por água.

Olhapim provou 
Frescas!Frescas, frescas, frescas. Fica uma amêndoa de sabor a chocolate com uma doçura apimentada. Exóticas. 

Olhapim fotografou passo a passo
Tive o cuidado de tirar fotografias em todas as fases, neste caso do ponto de açúcar.
Ridiculamente fácil de fazer. Não comprem. Façam e adicionem outros sabores.



Olhapim,
Alentejo...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Calducho de laranja com bacalhau, poejos e açafrão

Calducho de  laranja com bacalhau, poejos e açafrão
ou,
Calducho de Laranjinha à Alentejana

Esta sopa foi especialmente criada para comemorar  os 6 anos do blogue  Cinco Quartos de Laranja.


Calducho de  laranja com bacalhau, poejos e açafrão
Ingredientes
( 3 pessoas)
60g toucinho entremeado salgado de Porco Alentejano DOP
50g paio de Porco Alentejano DOP
3 postas de bacalhau demolhado pequenas
10 colheres sopa de azeite 
1 cebola grande ( aprox. 350g)
1 dente alho grande
12 rebentos de poejos ( duas colheres sopa cheias de folhas )
3 laranjas médias ( o  SUMO)
1/2 pimento verde
Açafrão  de Alter do Chão q.b
Água q.b.
Sal q.b.
Pão duro alentejano q.b

Frite o toucinho e o paio, cortados em fatias muito fininhas, no azeite. Depois reserve. A essa gordura, que aqui no Alentejo se dá  nome de pingo ( gordura onde foram fritas carnes), junte a cebola cortada em tiras e o alho esmagado » deixe refogar em lume brando até ficar transparente.
Assim que a cebola estiver mole, quase caramelizada, levante o lume , adicione uns estames de açafrão, mexa. Deite de imediato,  o sumo das 3 laranjas com os poejos, e quando este caldo começar a ferver, adicione as postas do bacalhau cobrindo tudo com água. Prove e rectifique o sal. A cozedura do bacalhau é rápida , 4 a 5  minutos e esta sopa está pronta.
Deite o caldo e as postas de bacalhau numa terrina e leve à mesa. Sirva no prato com umas fatias de pão duro alentejano, acompanhado pelas carnes fritas e umas tiras de pimento verde finamente cortado. 
Toucinho entremeado e paio fritos com tiras de pimento verde
Olhapim provou
Maravilhosa! Um prato salgado com a delicadeza doce do sumo das laranjas.
Perfeita combinação. Os poejos equilibram este prato dando-lhe frescura, assim como o pimento.

Olhapim informa
Em Alter do Chão, vila do distrito de Portalegre tão famosa pela sua Coudelaria,  produz-se Açafrão.
No Alentejo, é normal fritarem-se os enchidos e toucinho nas gorduras das sopas.


Calducho de  laranja com bacalhau, poejos e açafrão
Querida Laranjinha,
É sempre com muita alegria que sigo o teu blogue diariamente. São verdadeiros  momentos de prazer. Agradeço-te também o Olhapim. Sem ti, este blogue simplesmente não existia.
Sei que gostas de pão e não dispensas uma boa sopa.
Muitos parabéns!!
Olhapim,
Alentejo...